quinta-feira, 19 de julho de 2012

WHERE IS HOME?

Lua Nova, 19 de Julho de 2012


"Stop!" I was running towards her. She was about to get on her bike. I needed to scream louder. "I said STOP!" That made her look. When I got to her I took her hands in mine. "Please don't go..."

"But, I shouldn't... I have to go, eventually." She replied.

It was the truth. "I know, but don't go today." I softened my grip on her hands. "I can't make you stay, if you don't want to. However, if you have the tiniest hope that we can get through this, don't go... Don't make me let you go." I pleaded.

She closed her eyes and shook her head. "I- I don't know. I'm so confused and I need some time to figure something out." She opened her eyes and looked me straight in the eye. "I'm going to my parents' for now. They have been living there since I remember... There, everything is familiar and that is what I need now."

I was taken aback. "You know you can count on me, right?" She nodded but before she could speak I continued. "Then stay... You know better than to lie to yourself: you're not going away because you need to be somewhere familiar to you, you're going away because you want to run away from this."

I watched as tears fell from her brown eyes and pulled her to an embrace. She cried and sobbed into my chest for a while and all I could do was hush her and hold her tightly hoping that would be enough to make her feel better. When she calmed down some more she confessed between sobs. "But I'm so scared! They said that tomorrow they had the results. I'm not sure that I want to know it anymore! I've never felt more scared in my whole life!" She surrendered. "I'm lost! What do I do?"

"I'm scared too! But I'm here for you. I don't know if tomorrow everything will be alright... I can't promise you that. What I know is that our love is real. It's not a perfect love: it's a true love that will never die. Remember that!" I let go of her. "If that's what you really want, I'll drive you to your parents' house. On the other hand, if you want to stay, we'll go wherever you want and spend our time without thinking about what tomorrow will bring." I reached for her. "Whatever you choose, I'll go with you. I won't let you alone."

She wondered for a while and decided. "I knew you would." And then kissed me. We remained in silence for a few moments until she spoke again. "Home. Take me home."

terça-feira, 19 de junho de 2012

DE SONHOS E CRIAÇÕES...

Lua Nova, 19 de Junho de 2012


O meu subconsciente tem as maneiras mais esquisitas de associar informação e transformá-la em sonhos. Muitas vezes são coisas sem sentido, mas percebo (ou acho que sim) cada pormenor inserido.
No entanto, há um que nunca percebi.
Dizem que o cérebro tem a capacidade de recordar milhares de caras. Mesmo que não o saibas conscientemente, caras desconhecidas que tomam lugar nos teus sonhos pertencem a pessoas que provavelmente viste uma única vez há anos atrás. Dizem que sim...
Eu normalmente sonho com caras conhecidas e as desconhecidas costumam estar cheias de sombras, nunca bem definidas... O que tem a sua lógica, para mim pelo menos.


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No outro dia sonhei que estava no meio de uma rua. Pessoas passavam por mim como se tudo estivesse normal, como se fosse normal as pessoas andarem por aí com asas a saírem-lhes das costas.
Talvez seja normal. Olhei em volta e apercebi-me de que elas não faziam a mínima ideia de que tinham asas. As asas eram todas diferentes... Cores diferentes, tamanhos diferentes, aspectos diferentes. Neat! Lembrei-me de olhar para o meu reflexo na montra de uma loja, curiosa para ver como seriam as minhas, mas o entusiasmo acabou rapidamente: as minhas costas estavam normais.
Pus-me a andar, para ver até onde é que a rua ia dar. O tamanho das asas dela não é o «correcto»! Mal tinha dado por isso, vi que a rapariga não era a única com uma envergadura desproporcional ao corpo. Nem todas eram bonitas. Na verdade, algumas pareciam bastante mal tratadas. Com pena, lembrei-me do meu reflexo... Tão vazio.
Vazio. Dei por mim e a rua esvaziou. Ninguém estava ali para além de mim. Continua. Também não há aqui nada, mais vale continuares. Segui a rua. Quanto mais andava, menos havia. Os edifícios diminuíam em tamanho e em número até que fui dar a um armário. Bem... Não é um simples armário. Todo requintado. Ébano(?) com pedras de diferentes cores a reluzir. Madeira retalhada. E fechado à chave. Seriously? Parece que o objectivo deste sonho é deixar-me frustrada... Bem com uma fechadura assim, a chave devia ser uma maravilha e, por isso, fácil de encontrar. Devia, não devia? À excepção de este sítio estar vazio. Andei à volta daquele móvel misterioso à procura de um sítio onde pudessem esconder a chave, mas quando olhei por baixo reparei num par de sapatos que estava do outro lado.
Esqueci a chave e fui ver quem estava detrás do armário. "Tu?"
"Precisas de ajuda?"

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Há um rapaz que não conheço. Claro, que deve ser uma das caras desconhecidas? Mas então, porque é que é o único que consigo ver claramente? Porque é que é o único que não faz aquilo que quero?
Em todos os sonhos, eu sou capaz de controlar o que acontece. Se já tive aquele sonho, posso facilmente alterá-lo ou então pará-lo por completo e escolher outro. Consigo controlar facilmente as acções de todos com quem sonho, se me apetecer... Se não, agem apenas como eu esperaria que agissem, como lhes é normal.
Mas ele não.

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Voltei para a frente do armário. Desaparece. Ele surgiu atrás de mim em poucos segundos.
Fechei os olhos e massajei a cabeça. Desaparece, desaparece, desaparece.
"Está tudo bem?"
Suspirei. Não valia a pena. "Kind of. Não encontro a chave para abrir o armário."
Arranjou os óculos e apontou para mim. "Como a que tens ao pescoço?"
"Eu não--" You can kill me now. "Sim. Obrigada." Devia estar vermelha até às orelhas... Mesmo assim virei-me para ele. Tinha que lhe perguntar sobre uma coisa que me estava a chatear. "Porque é que estás a usar óculos?"
"Eu uso óculos."
"Da última vez que te vi, não tinhas."
"Estava com lentes." Sorriu.
Eu não estava a sorrir. Virei-me para a porta, tirei a chave de volta do pescoço e comecei a abrir o armário. Ao menos tinha razão numa coisa: a chave era linda. Quando a abri a porta a única coisa que lá estava era um espelho.
"Para que querias abrir o armário?" Ele tinha-se aproximado e estava mesmo atrás de mim. "O que é que está lá dentro?"
"Não te apoies na minha cabeça!" Impressão minha ou ele estava a divertir-se imenso? "E o que é que te interessa? Não tens nada para fazer?"
Afastou-se um bocado e subiu as mãos numa posição defensiva. "Não te preocupes comigo."

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Quando o vi pela primeira vez estava numa espécie de laboratório de investigação. Nada de Química ou parecido... Investigação das minhas memórias. Era literalmente «a walk down the memory lane»! Objectos, fotografias, nuvens com a memória a decorrer infinitamente e pessoas que fui conhecendo ao longo dos anos. À medida que ia passando por elas tirava-as da sua prisão de vidro, o que não foi lá muito brilhante... Começaram a soar alarmes por todo o lado e segundo uma voz robótica, dentro de pouco tempo haveria guardas atrás de nós.
Comecei a correr com o grupo que tinha libertado. Corredor, atrás de corredor: tudo parecia igual.
Depois passei por uma sala em que ainda não tinha estado e, no meio de várias fotos que nunca cheguei a ver, estava um rapaz. Um pouco mais alto do que eu, olhos castanho escuro, cabelo curto, ruivo acobreado e ondulado. Tinha um casaco de capuz, calças de ganga e ténis, com as calças para dentro. Ele estava a ver uma daquelas nuvenzinhas... As sirenes não pareciam incomodá-lo. Tinha que o avisar. "Err... Olha! É melhor saíres daqui."
Ele voltou-se. "Hum? Ah! Não te preocupes comigo." E sorriu.
Eu decidi que era melhor ir-me embora.

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Olhei para o espelho a tentar perceber o que fazer a seguir.
"Ei, estás mais baixa!" Constatou ele divertido.
Não me dei ao trabalho de desviar o olhar. Conseguia ver o reflexo dele no espelho. "Não. Tu é que estás mais alto." Ele estava mais alto, com o cabelo um pouco mais escuro (mas mantendo o ruivo) e mais desalinhado, sardas visíveis na zona do nariz. Já passaram alguns anos... Voltei-me para ele. Estava de novo com calças de ganga, mas desta vez tinha um hoodie e estava-- "Descalço?"
Ele olhou para os pés e de novo para mim. "Bem, não é que sapatos façam muita falta aqui... Já para não falar que é muito mais confortável!"
"Suit yourself!" Sorri. "Se quiseres ver..." Dei-lhe espaço para se aproximar.
Ele veio imediatamente para o meu lado. "É só um espelho." Disse decepcionado.
Era a minha vez de rir. "Brilhante dedução!" Ele olhou para mim e foi-se embora para o lugar onde estava antes e sentou-se no chão. "Não me digas que vais amuar?"
"Claro que não." Disse. "Apenas não tem muita piada..."
"Bem, isto é um sonho. Logo não pode ser só um espelho." Isto pareceu interessá-lo.
"Achas?" Levantou-se. "Então o que é que faz?"
Sorri. "Não sei! Assim podemos descobrir, não é divertido?"
"Podemos?" Questionou, com os óculos à ponta do nariz.
"Se quiseres." Afastei-me do armário e fui mais para perto dele, para poder ver o espelho todo. Ficámos  a olhar para os nossos reflexos, como se a resposta aparecesse. Foi quando reparei nelas. "Asas!" Conseguia ver asas quase invisíveis nas minhas costas. Já me tinha esquecido.
"Asas?"
"Sim. Há bocado toda a gente tinha asas, menos eu." Olhei para ele. "Tu também não tens..."
"Estão escondidas."
"Hum? Como, porquê esconder as asas?"
"Também tens as tuas escondidas" Disse ele enquanto coçava a cabeça.
"Como é que sabes isso?" Estava completamente confusa.
Riu-se nervosamente. "Bem... Tu sabes. Lembra-te das asas que pertenciam a cada pessoa."
Sim, fiz isso há algum tempo. Mas revi na mesma e apercebi-me de uma coisa.
"As asas representam a maneira como vês cada pessoa." Concluiu ele.
"Então porque não vejo as minhas?" O meu reflexo dava para perceber um pouco de como seriam, mas gostava que elas fossem mais materiais.
"Porque achas?" De repente, tinha ficado muito sério. "Elas existem, mas estão sempre escondidas... Até tu ficas com dúvidas que existam."
Não estou a gostar do rumo disto. "Então e tu? Porque não vejo as tuas? Nem sequer sei quem és!"
Ele calou-se.
"Como te chamas?"
Continuou sem responder.
Pensei em acabar ali mesmo com o sonho. Mas, não queria desistir assim. Não sem saber mais alguma coisa.
"Não me conheceste." Foi a resposta dele. "Não fazes ideia de quem sou... Por isso é que não vês asas."
"Não te conheci? Então isso quer dizer que és uma criação da minha imaginação?"
Sorriu. "O passado, o presente e o futuro... Faz tudo parte da ilusão do tempo."
Tive de me deixar rir. Eternalismo. Teoria da relatividade. Física. Há algum tempo que não me lembrava disto... Tenho de lhe perguntar o quanto ele viu das minhas memórias naquele laboratório. "A Física Quântica não te assenta, «Einstein»..." Ele riu-se comigo, da alcunha. "Então estás a dizer que fazes parte do futuro? Que ainda te vou conhecer?"
"Talvez."
"Talvez..." Olhei de novo para o espelho. "Então e o teu nome?"
"Se te dissesse, tudo isto perderia a sua piada... No entanto, se quiseres, Einstein é um belo nome!"
Voltei-me outra vez para ele. "Sabes muito, sabes. Nem penses que te chamo isso." Até à próxima vez já terei arranjado um nome... Apercebi-me que tudo se estava a tornar difuso e a desvanecer. Estava a acordar.
"Parece que teremos de esperar pela próxima." Disse ele, com o que parecia alguma tristeza nos olhos.
"Não fiques assim. Se achas mesmo que o tempo é uma ilusão, a próxima vez já está a acontecer." Mas, na verdade, não sei quanto tempo será.

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Pareceu-me ainda o ouvir, mas quando dei por mim, já estava acordada. Tudo isto era apenas mais uma memória para a colecção.

domingo, 20 de maio de 2012

YOUR CHOICE

Lua Nova, 20 de Maio de 2012


Leave me to die. Please...
I had never seen such coldness in his eyes. Every single word spoken in an emotionless tone had been enough to shock me, but the look in his eyes had destroyed any hope I could have had. He looked empty. You made your choice. Why are you still here?
"Why?" I felt like I was falling. Like there was no more ground below me and I was just falling, falling... "I, I... I was right! I thought you'd be with me on this one!"
He chuckled. But not in funny way like he uses to: it was way somber. "Really? And why the hell would you think that? Because we're friends? Don't be ridiculous: you're not my friend.
"What are you saying? Of course I am!" Is he making fun of me?
"No, you're not! All of this time I've met you, I thought we were... But in retrospective, I came to the conclusion we're not. I was your friend!" He said as cold as he has been since I arrived.
Was? "So am I!" I could feel my heart drumming loudly in my ears.
"No, you're not! All this time, you've done everything you wanted and I've been making the sacrifices to keep up with you. Not once you've sacrificed for me!"
"I don't understand. I've sa-"
"That's the point! You don't understand. You don't understand me!" He shouted at me.
I had never seen him this angry. I started to feel uneasy. "You're not making any sense." I looked him straight in the eye and kept my voice as quiet as possible.
"Because all you ever care about is reason, right? You have to rationalise everything!" He made a dramatic gesture into the air and turned to me again. "Do feelings mean anything to you? Did our friendship mean anything?"
"Yes, it does!"
"Then why did you still followed her?"
"Is this all because of that girl? She was lying to you! I had told you that... I only went after her to get you proofs." Was it that wrong? I was right since the beginning. I thought he'd be happy.
"Yes it is! I had told you to leave it alone, that it was none of your business!" The shouting began once again."Do you remember what I told you when you first came to me with your accusations?"
Of course I remembered. Stop going on about this or our friendship is over. Your choice. "I chose friendship! That's why I told you the truth about her..."
"Bullshit! You chose what you always do: to prove you're right!"
"That- that's not fair!"
"Isn't it? I was blissfully happy; enjoying my time with her and you came and destroyed it." He pointed his finger accusingly at me. "Who's the fair one?"
"It was all a lie!" I screamed back at him. "You can have all that with someone else... Did you prefer to be living a lie?"
A beat passed and he answered. "Yes."
I had no answer to that.
"I loved her more than anything else. Now, because of you it's impossible for us to be together. There always be rumours..." He really was hurting.
How could he prefer a lie "I didn't know you felt like that. But it will get better!" I motion towards him.
He stepped back. "It won't. Thanks to you! Please, leave."
"Come on! You can't be serious. I never thought you were so..."
"So what? Emotional? Irrational? Get over yourself! I'm not the one who's different from the rest." He retorted.
"What do you mean?" My voice was faltering, knowing what was about to come.
"No need to be afraid... You're a big girl now!" He said with a mocking voice mimicking a proud parent. "Big enough to go wandering around and investigating, at least. There's no need to sugarcoat it for you, nor a reason to do it. You're the one who doesn't fit the normal patterns: you're the freak!"
With that I said nothing more. I turned around and walked away. There was nothing left from our friendship.

sábado, 21 de abril de 2012

TEMPO DE ESPERA

Lua Nova, 21 de Abril de 2012

O que é que vou fazer aqui durante uma hora? Entrei calmamente e olhei em volta. Era como se estivesse a nadar contra a corrente... Tudo a sair e eu a entrar. Já para não falar do desconforto de me sentir bastante observada.
Decidi ir para um canto junto a um elevador fora de serviço e esperar. Não teve muito bom resultado: estava tão aborrecida que nem cheguei a estar cinco minutos quieta! Só a andar de uma lado para o outro. Fará muito mal sentar-me no chão? Whatever... As pessoas já estão a olhar para mim, de uma maneira ou de outra. Acabei por me sentar, o que melhorou um pouco o meu humor, pois pude pousar o guarda-chuva encharcado que já me tinha molhado a parte debaixo das calças de andar a bater com ele nas pernas, enquanto andava de um lado para o outro à espera das 13h00. Tirei o telemóvel com esperança de encontrar alguma rede Wi-Fi (desprotegida, claro). Ya, bem posso ficar sentadinha à espera. Tirei os cadernos para ver se estudava alguma coisa, mas não me conseguia concentrar. Não consigo ficar aqui! Levantei-me e decidi ir mais para dentro do piso de entrada.
Não foi preciso ir muito longe para me afastar daqueles olhares indesejáveis. E já não era sem tempo... Um "hall" de espera! Muitos espaços vazios, cadeirões para me sentar e pessoas sem prestarem atenção às outras. Perfeito! Ainda não tinha acabado de pensar nisto, já me sentia um bocado arrependida da expressão que tinha utilizado... Não conseguia deixar de pensar que aquela expressão não pertencia ali.
Fui para a fila de cadeiras mais vazia e sentei-me na cadeira mais perto da janela. Ainda está a chover... E eu ainda vou ter de esperar mais de meia hora. Pode ser que a reunião acabe mais cedo. Também pode acabar mais tarde. Continuei no meu mundo a olhar para fora da janela, a pensar quanto tempo tinha de ali estar, até ouvir os risos de uma miúda que estava seis filas de cadeiras à minha frente e que não parava de chamar a mãe por uma razão que me era desconhecida. A mãe, que estava fixada no telemóvel, olhava para ela, sorria, dizia qualquer coisa ininteligível e voltava a sua atenção para o telemóvel. Na fila de costas para mim, estava um homem de fato e gravata, a conversar alegremente com quem quer que seja que lhe tenha telefonado (na minha opinião, um colega). Mas ao menos podia não falar tão alto.
Neste tempo em que andava a ouvir o que estava à minha volta (não quero andar para aí especada a olhar para o  que as pessoas fazem, visto que o mesmo me incomoda), tinha tirado um caderno e começado a desenhar, para passar o tempo. E também para me desviar a atenção de que definitivamente não pertencia ali. Foi uma das vezes em que levantei a cabeça para ver as horas... Só mais 15 minutos, no mínimo! Também reparei numa senhora, idosa, cabelo branco e curto, demasiado magra, óculos redondos e demasiado grandes para a cara alongada dela. Está doente, ou esteve, pelo menos... A roupa estava-lhe muito larga, embora nenhum lhe ficasse curta em corpo, braços ou pernas. Logo, a roupa é, muito provavelmente, dela. O que indica que emagreceu bastante durante a doença. E que eu ando a ver demasiado "Sherlock". Tentei continuar a desenhar, um pouco envergonhada por estar a deduzi-la, mas a mulher não me saía da cabeça. Deve ter sido uma doença grave... Cancro, talvez? Mal dei por mim, estava a olhar outra vez para a senhora. Tinha uma expressão preocupada, tal como as pessoas que a acompanhavam (filha e genro?). Se for mesmo a filha, então a senhora não deve ser tão velha como aparenta... Achei melhor ignorar aquela família, antes que fosse longe demais. O quer que se passasse é assunto deles, não meu. Voltei a fechar-me no meu mundo de desenhos e rabiscos que, tenho a certeza absoluta, não vão chegar ao fim da semana.
O problema é que a senhora estava mesmo na fila de cadeiras debaixo do relógio (que já passava das 13h00) e sempre que olhava para lá, não resistia a ver como é que ela estava. Num desses momentos, vi-a a chorar. Bolas! A mulher ao lado dela estava abraçada a ela, mas eu não lhe conseguia ver a cara. A única coisa que conseguia pensar é que lhe tinha morrido o marido... Não fazia a mínima ideia do porquê daquela família estar ali, não fazia a mínima ideia o porquê de ter pensado aquilo e até podia estar completamente errada, mas era a única ideia que tinha. E isso, fez-me sentir que sabia algo demasiado íntimo e que não tinha nada de ter conhecimento disso. Especialmente, quando a senhora levanta a cara para limpar os olhos.
Nesse momento, baixei a cabeça na direcção do meu caderno. Porquê?... Porquê, porquê, porquê?! Damn it! Não devia ter vindo para aqui! Devia ter ficado à chuva, ao menos não me sentia... Não me sentia como? Como se tivesse invadido a privacidade de alguém! Tinha ido longe demais. Felizmente, não fiz nada para além de pensar. Sei que muitas vezes vou longe demais, especialmente quando o quero fazer. Mas agora... Foi sem querer, puro aborrecimento... A expressão dela tinha me prendido desde o início por demonstrar tanta emoção, enquanto eu controlo quase sempre as expressões que demonstro. Quem me dera poder ir embora...
"Estás pronta?" Ouvi de repente. Finalmente.
"Sim, pai." Arrumei tudo, peguei no guarda-chuva e levantei-me para o cumprimentar. Segui-o em direcção à saída, passando pela senhora idosa, agora mais calma. Desculpa. Disse-o mentalmente, embora sabendo que ela nunca reparou em mim (tal como não repara agora), porque achei que tinha passado das marcas.
Provavelmente, nunca mais a irei ver... Mesmo assim, espero que tudo melhore.

sexta-feira, 23 de março de 2012

ESPERANÇA

Lua Nova, 22 de Março de 2012


Há anos que faço isto e algo que não esperava era aproximar-me de um deles. Uma rapariga tão adulta que parecia carregar o peso do mundo nos ombros. Pobre rapariga.
Os olhos escuros, atentos a tudo, escondiam a sua inteligência e perspicácia. A sua postura demonstrava a coragem que a tinha trazido até ali, em nome do sacrifício mais nobre que se pode fazer... Por amor.
Sentia uma certa honra por ali estar e a poder conhecer. Ofereci-lhe a minha amizade sincera e ajudei-a em tudo o que pude. Ao se aproximar o dia D, convencia-me de que talvez ela conseguisse, embora soubesse que as hipóteses eram muito remotas ela tinha um espírito lutador e não iria abaixo facilmente.
Quando a altura chegou, não haveria mais nada que pudesse fazer por ela... Tudo dependia dela. Antes de nos separarmos do que poderia ser para sempre, abracei-a e disse-lhe que tudo iria acabar e só poderia esperar pelo melhor.
Olhei para ela, mas a atitude calma que me era familiar tinha sido substituída por medo puro. O terror espelhava-se no rosto... Era como ver um animal assustado, preso numa jaula, à espera do horrível destino que o aguardava.
Tinha que a deixar ir. Assegurei-lhe mais uma vez de que confiava nela e despedi-me.
Enquanto a via desaparecer, lembrava-me do pouco tempo que passei com ela.
Ela é capaz. Espero que consiga ultrapassar isto.

\~. * .~/

Ela conseguiu... Ela venceu.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

IF I DIE YOUNG

Lua Nova, 21 de Fevereiro de 2012

I was never one to think too much about the future... The here and now is what matters.
However, things happen and get you to think about your future. I started to wonder about my own death.
If I were to die today, I wouldn't get to do so many things that I always thought I had time to do later but that, after all, I hadn't. Too much I'd still want to try, so many places that I had want to travel to.
How many people would attend my funeral? What would they feel? These weren't questions that bothered me... No matter who died, how they died and who would miss them, life goes on sooner or later. We're only a small part of something bigger. One out of billions. The world doesn't stop turning for a person. There won't be only rain and grey skies ahead...
What bothers me is what I'd miss. I'd never have a chance to know how I'd turn out. I wouldn't make it to my birthday. I'd miss my chance at love.
I'd miss my chance at love... Never got to knew someone who loved me. That bothers me. What eveyone's looking forward to, I'd postponed. Everyone who told me they loved me, I'd dismissed them, without a second thought... I wasn't interested in them. They didn't even knew me. So I just kept on living, moving forward.
However, there is one person. Someone who's there for me, someone I can always rely on... I'm told he loves me and I dismiss it: not important. But if I were to die, would it be important? Would I want that person by my side to tell me that? Surprinsingly, yes...
That's why I couldn't keep myself from thinking about dying... Because I want you to know that if I die young, I have never loved anyone but you are the person I came the closest to love.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Lua Nova, 23 de Janeiro de 2012

Hoje, não tive aquela inspiração para escrever, mas sim desenhar. Rascunhei várias ideias para o que queria desenhar e tudo à volta do mesmo tema: "Reichenbach Falls".
Mas não consegui fazer nada do que tinha em mente... Por isso nada por hoje!

sábado, 24 de dezembro de 2011

WHEN THE SUN GOES DOWN

Lua Nova, 24 de Dezembro de 2011


I wouldn't say I was very different from other people... Honest!
But I'd never say I was like them, either.
Who knew me would call me clever, proud and active. Those who didn't knew me saw a impetuous, obstinate, spoiled child. I'd say I was both. Apparently, I was always what people didn't want me to be. So, since a young age, I started not caring about their opinion: mine was the only one that mattered.

I was given endless opportunities... Such a wide range of futures for me. I had something that others, who weren't as (un)fortunate as me, didn't: wealth.
People say that money isn't the most important thing in one's life... But the truth is that it is one of them. It opens lots of doors... And people know that if they're nice to people with money, something will be given in return. No matter what.
That factor was very convenient in everything I was a part of... Lots of benefits for being so wealthy. That's why I started hiding my life and my history. It wasn't fair. And I absolutely hated that people thought that I would never do the same things on my own!

It was harsher in the begining, that simple questions or requests or right-down refused. But easily I proved wrong everyone who questioned my method of living. Always around me, staring at me as if I had grown a 2nd head... Those pityful, superior, hateful looks, made me want to die of shame for belonging to such a prejudiced circle! They didn't understand that the world wasn't the shiny place they were used to live, where everything seemed to be touched by the sun... Society didn't work that way. Most people live in the real word where sun shines once in a while and where the moon is their companion through the dark-pitched night.
That world showed me everything I should've known, if for some wicked twist of fate I were to belong there...
They didn't have what I had, but they were much more free than me and that... That was what atracted me more.

I was given endless opportunities... All of them promising future where the sun shines everyday.
I could have everything. And I could belong to the night.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

ALGUÉM

Lua Nova, 25 de Novembro de 2011

Todos os dias passo por sítios cheios de gente e sinto-me cada vez mais só. Olho para elas sem me preocupar em esconder que estou a olhar. Na verdade, estou só a observar e a estudar - perfis, expressões, comportamentos, etc.
De manhã, não há grandes problemas porque a maioria parece pensar mais em como seria estar a dormir, ou como será o resto do dia, do que reparar em mim.
A partir da hora de almoço, a história é outra. O sono já era e as pessoas estão bem acordadas e dispostas a reparar em tudo e mais alguma coisa. Incluindo eu. Também parece que estão muito mais dispostas a falar e isso sim: dá-me cabo dos nervos. Quero estar calmamente a observar, mas há demasiado barulho e acabo sempre por tentar afastar-me o mais possível de tudo o que implique contacto com outro ser humano. Tentar abster um mundo tão barulhento não é fácil e nem sempre resulta. Quando volto a olhar, parece que todos estão a tentar fazer o mesmo, não parando de olhar - se bem que às vezes tentem disfarçar ao olhar para outra coisa que esteja no mesmo plano de visão - e quando os apanho, o que recebo é um olhar de desprezo ou do tipo "Que esquisita!".
Será que por me manter séria e calada, apenas preocupada em manter-me no meu lugar sem chatear ninguém, transmito um ar altivo, arrogante e de "Quero lá saber dos outros. Eu sou a melhor."? Eu acho que não! Acho... Mas também não me preocupa o que outros pensam de mim. Apenas agradecia que não o demonstrassem tão abertamente.
Enquanto estudo o que fazem e como agem, inadvertidamente comparo-os comigo e penso em como o meu comportamento é um outlier no geral do que observo. Falta-me alguém. Alguém com quem falar, com quem trocar mensagens, alguém com quem estar. Não tenho ninguém.
Porquê? Talvez não seja importante. Mas porque não ter alguém que me acompanhe e me apoie? Alguém com quem falar não seja difícil e confuso? Alguém...

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

FOR A CHANGE

Lua Nova, 26 de Outubro de 2011


Lies after lies after more damned lies. It's just something I got used to... I'm not even surprised at that anymore! What surprises me is my stupidity! What made me believe this time would be any different?
All I want is to disappear somewhere I'll never see you again...
Who am I kidding? I'm not even finished thinking and I already know it's not the truth. You're not the problem: I am.
Since long ago that I'm aware that human beings are flawed creatures. Life turns them that way.
They mimic what they see, learn what works for them and what doesn't and finally achieve to get better. Lying - I came to learn - is one of their favorite subjects to learn. It allows them to stand out more or to lay lower than the rest... I, as one of them, also learned and perfected this "science" to use it as a shield.
It works perfectly for my purposes: keeping everyone out and be accepted by the norms of society. However, there are people who I let in... After analysing them over and over again to make sure I don't get hurt I stop the lies and show them my true face - I'm never wrong about them.
I learn to enjoy the truth from them but the rest of the world is still so full of lies. My friends tell me that it isn't as bad as I paint it and that I should do the same thing I did with them and let others know my real self... Who'd know if I wouldn't be surprised? No, I'm not. It's as I always expect - more lies!
Am I asking too much? To not be surrounded with people filling your mind with endless rubbish all while you just nod and smile, pretending that everything is okay even though it's not?
I want so bad to be wrong, but I'm not. I want to believe that if I don't lie, I'm not lied too.
I want someone that doesn't lie to me and that won't ever do.
I just want someone I can trust for a change.